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Fonte : NTU

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10/03/2014


Mãe e filha motoristas de ônibus são perfil das amapaenses no trabalho

Imagem

 

Motoristas fazem parte de grupo 'padrão' no mercado de trabalho feminino.
Além do volante, mãe e filha ainda dividem o tempo entre casa e filhos.

Abinoan Santiago Do G1 AP 

Maria Isabel Oliveira, de 49 anos, e Michele Viana Oliveira, de 33 anos, são mãe e filha. Mas o parentesco não é a única semelhança entre as duas. Ambas seguiram a mesma profissão: motorista de ônibus. Mesmo transportando passageiros pelas vias de Macapá há mais de dez anos, elas admitem que ainda sofrem 'preconceito' por estarem em um posto antes ocupado somente por homens.

"Sofremos um pouco de preconceito de algumas pessoas, mas conseguimos tirar esse desafio de letra", declarou Michele Oliveira, que desde 2003 trabalha como motorista no transporte coletivo de Macapá.

Além dessas semelhanças, Maria Isabel e Michele ainda podem ser exemplos de um grupo considerado o perfil 'padrão' no mercado de trabalho feminino do Amapá, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2010.
Mãe e filha motoristas, por exemplo, possuem o rendimento médio mensal de R$ 1.418, sem considerar os auxílios, segundo informou a empresa de ônibus onde Maria Isabel e Michele trabalham.

O salário das duas é bem parecido com o fixado pela pesquisa do IBGE, que colocou à época, o rendimento médio mensal das mulheres amapaenses em R$ 1.430, sendo o melhor resultado entre os sete estados da região Norte do país.

Apesar do número favorável em comparação aos demais estados, a mulher amapaense ainda tem rendimento menor em relação ao do homem, que recebe salário mensal de R$ 1.565. A empresa de ônibus onde mãe e filha trabalham diz que não há distorção da remuneração entre os sexos, conforme apontado na pesquisa. "É tudo igual", garantiu o chefe dos transportes, Duvaldino Santos.

"Trabalhar na mesma profissão dos homens e receber o salário igual deixa a gente valorizada. É muito gratificante para nós, mulheres", comemorou Maria Isabel, que se diz orgulhosa pela filha seguir a mesma profissão.

Motoristas, mães e donas de casa
Maria Isabel e Michele têm carga horária de sete horas diárias, o que resulta em torno de 40 horas semanais dentro dos ônibus. Ambas trabalham no turno da manhã.
O período em que passam no trabalho é quase o mesmo do tempo médio da jornada de trabalho das mulheres amapaenses, fixado em 37,2 horas semanais, segundo a pesquisa do IBGE. O tempo no serviço delas é menor que o do homem, que possui 41,7 horas trabalhando durante a semana.

Acima de tudo somos mãe e também cuidamos dos afazeres domésticos"

Maria Isabel
Mesmo passando a manhã transportando passageiros e lidando com desafios do trânsito de Macapá, mãe e filha ainda encontram tempo para cuidar dos filhos e serviços de casa. De acordo com a pesquisa, apesar de o tempo médio semanal gasto por mulheres amapaenses com serviços domésticos ser de 21,7 horas, mãe e filha motoristas não sabem precisar quantas horas dedicam ao lar. No entanto, ambas dizer aproveitar muito amor da família.

"Acima de tudo somos mãe e também cuidamos dos afazeres domésticos. Eu, por exemplo, chego em casa e ainda tenho roupa para lavar e cuidar dos serviços do lar", contou Maria Isabel, mãe de cinco filhos.

Michele Oliveira também diz ter com os três filhos - todos menores de idade - a mesma dedicação que tem ao volante. Ela relata que a relação com eles é tão forte que até chegou a levá-los ao trabalho para ajudar em uma pequena ação na véspera de Natal, quando distribuíram bombons a passageiros dentro do coletivo.

"Sou um orgulho para a família e muito apoiada pelo meu marido e filhos, inclusive eu trouxe as crianças para trabalhar comigo na véspera de Natal distribuindo bombons. Isso faz parte da paixão, do amor que tenho à profissão. Na Páscoa pretendo fazer o mesmo", disse a motorista de ônibus, que contou ter escolhido a carreira ainda criança, quando utilizava para ir ao colégio um coletivo também conduzido por uma mulher.
"Tirei minha habilitação aos 18 anos. Em 2003, recebi a oportunidade de uma empresa e agarrei com unhas e dentes", completou Michele.

Na empresa
O paixão que mãe e filha motoristas dizer ter à profissão é compartilhada com outras cinco mulheres que ocupam o mesmo posto na empresa onde trabalham. O número de trabalhadores do sexo feminino no comando dos coletivos, no entanto, ainda é muito inferior em comparação ao masculino. Na referida empresa, dos 262 motoristas, somente sete são mulheres.

Apesar do número considerado pequeno, elas arrancam elogios da chefia. "Antes essa função era apenas para homens. Mas decidimos abrir esse mercado para mulheres, e percebemos que elas possuem melhor tratamento com os idosos, crianças e com os próprios carros, tanto que nunca tivemos reclamação delas", elogiou Duvaldino Santos.
"Nós temos mais cautela no trânsito. Acredito que também não só como motoristas, mas em outras áreas de trabalho a mulher tem mais cuidado no que faz", disse Michele Oliveira.

Para Maria Isabel, cuidar do carro que dirige é o mesmo que dar atenção a um filho. "Ele [ônibus] é o nosso ganha pão. Trabalhamos nele, e se não tivermos cuidado, vamos pegar um carro ruim. Cuido tanto dele ao ponto de às vezes reclamar quando o repassam a outro motorista", brincou a motorista que começou como cobradora antes de assumir o volante. "Agora estou realizada no que faço", concluiu.

(G1-AP)



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