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23/11/2010


Algumas considerações sobre o aumento da tarifa

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Por Laurindo Júnior - Proprietário da empresa Garra Transportes

Há muito tempo observando o comportamento da maioria dos homens públicos, vejo que infelizmente impera em nosso país  a figura daquele, que preferindo o caminho mais fácil  não consegue ter a capacidade e conhecimento para deixar um legado de transformações positivas em boa parte dos municípios deste  país. 

Cresci ouvindo meu avô falar que os primeiros vereadores e prefeitos de nossa cidade  eram homens de bem, que já com uma certa condição financeira, exerciam o cargo público  como  exercício voluntário, isto é, sem  nenhuma remuneração. Nasci na cidade de Patrocínio –MG, cidade que vive da economia do café, com aproximadamente 100.000  habitantes, onde 100% das vias públicas são asfaltadas, 100% do esgoto é tratado, 100% dos domicílios recebem água potável em suas torneiras e foram construídos em alvenaria. O reflexo disto,  é que a saúde vai bem, e por falar em saúde os habitantes não morrem em macas pelos corredores de hospitais  e o índice de mortalidade infantil é de impressionantes duas mortes para cada 1.000 nascimentos. A ONU  considera  aceitável 10  mortes para cada  1.000 nascimentos, quanto à educação 100% dos alunos, inclusive  da área rural estão  nas escolas e tem merenda escolar  para todos.

Mais uma vez vejo a discussão do aumento de tarifa dos ônibus ser tratada de forma leviana por muitos políticos que querem em cima de uma exposição pública, dar a entender que estão cuidando dos interesses do cidadão. A atividade de transporte público tem que além de ser respeitada e reconhecida como a mais importante, no que pese os serviços essenciais, pois para que tenhamos acessos aos outros serviços essenciais como SAÚDE, EDUCAÇÃO e TRABALHO, precede o fato que temos, antes de mais nada, conseguir se deslocar  até eles.

É nisto que trabalhamos, assumindo todo risco e responsabilidade pelos  cidadãos que transportamos. É fato que o serviço de transporte público foi tratado sempre com muito preconceito, pois andar de ônibus sempre foi tratado pelos políticos como transporte de pobre onde o mesmo é usado por conta de uma absoluta necessidade e não por uma alternativa  de mobilidade.

Culpa dos empresários de transporte que não prestam um bom serviço, como muitos alegam? Ou dos homens públicos  que fazem do transporte  de massa uma bandeira  deixada em segundo plano, onde a única coisa que se fala é de redução de tarifa  ou congelamento da mesma nas épocas de eleição? Como se congelar tarifa ganhasse votos. Está ai uma prova real do nosso ex-prefeito João Henrique Pimentel, que não conseguiu sequer uma cadeira na assembléia.

Nota-se aí uma  mistura de falta de conhecimento e de foco  para uma solução  de um serviço essencial  onde  diferente da educação, saúde  e segurança,  as prefeituras não precisam usar recursos públicos, pois são os empresários que fazem os investimentos. A contrapartida é o retorno financeiro de seu negócio, diga-se de passagem,  direito legítimo, inquestionável e previsto em lei, já que só para lembrar, estamos num estado democrático de direito.

Leio impressionado algumas matérias de jornais, onde certos comentários são pautados de maneira a deixar bem claro porque várias coisas não funcionam em Macapá. Não existe interesse político em fazer que as coisas evoluam e assim vamos vivendo dia após dia em retrocesso sem fim. Estes dias  ouvi  um vereador dizer  que “faria o que preciso fosse  para impedir o aumento da tarifa de ônibus”,  que as empresas “determinam à portas fechadas o valor da tarifa”, e que deveria haver uma decisão  que partisse  de uma conselho de trânsito, para que se pudesse dizer quanto o usuário  pode pagar e assim determinar o valor da mesma. É bom que se diga, que absurdos a parte, a conta que determina o valor da tarifa é feita por uma planilha matemática, que aprendemos na quarta série do ensino  fundamental, onde 2+2=4.

Querer que o valor da tarifa seja outro, simplesmente porque alguns usuários  não podem pagar o preço correto e calculado, é uma irresponsabilidade  com o transporte coletivo da cidade. É o mesmo que  pedir, para o dono da farmácia vender um remédio pelo valor  abaixo da tabela, ou pedir para o dono o supermercado vender o feijão  pelo preço que o político quiser, ou mesmo que ele não pague por aquilo que ele necessita, simplesmente porque ele não tem condições financeiras.

Ora, aí sim deveria  entrar em ação o trabalho dos políticos, promovendo as adequadas políticas públicas de inclusão social, através de programas  sociais  como DOSE CERTA, BOLSA FAMÍLIA,  BOLSA  ESCOLA, VALE GÁS, etc., onde os cidadãos que comprovem  não ter condições, possam ter acesso,  a cesta básica de alimentos, remédios para tratamento de doenças e enfermidades. Da mesma forma  deveria se tratar o transporte público. O empresário não tem que custear tarifas mais acessíveis para determinados usuários, simplesmente porque eles não podem pagar, este papel é ou pelo menos deveria ser  dos homens públicos que fazem a lei,  subsidiando  valores  e gratuidades para quem dela necessita.

O Legislativo deveria fazer, mas não faz, preferem ficar focado em uma discussão colocando o povo como vítima ou coitados, e os empresários como vilões e lobos. A população carente em geral não carece de dó, querem ser tratados  com cidadania e ter acesso a serviços que necessitam para seu dia a dia, entre eles o transporte público.

Por falar em ser justo, foi assim que o SETAP, para sair dessa inércia política de mais de anos em Macapá, acabou optando pelo caminho da justiça, pois  definir uma justa remuneração de um serviço a ser prestado, me parece ser realmente uma questão de justiça. Ao contrário, discussões políticas se arrastam em discussões demagogas, onde prefeitos  ficam tentando fazer milagre com chapéu alheio, escondendo  as tantas mazelas existentes em cima das discussões sobre o transporte coletivo.

Uma das primeiras atitudes do Sr. Prefeito Roberto Góes foi pegar os coletivos para verificar a qualidade dos serviços, atitude altamente legítima , mas um pouco estranha em se tratando de uma cidade com apenas 2% do esgoto tratado,  onde pessoas morrem nos corredores dos hospitais por falta de remédio, o trânsito é considerado uma dos mais violentos das capitais, falta merenda nas escolas, pessoas moram ainda em cima de palafitas, vendo seus filhos morrerem afogados, por cair das pontes ou doentes por morarem num ambiente totalmente desumano.  

Já dizia o poeta “o isolamento é arrasador, não permite que as pessoas façam comparações, para muitas vezes exigir o que é melhor  para si”,  falo isto, porque percebo que em Macapá, a maioria  das pessoas por falta de condições financeiras, nascem e morrem na mesma cidade, sem terem tido a oportunidade de pegar um avião ou uma embarcação, para verem, do “outro lado” com os próprios olhos  aquilo  que Macapá, por incompetência política,  não pôde lhes oferecer.  

Vou continuar  torcendo e trabalhando  para quem sabe ver um dia ver uma Macapá mais digna, onde o cidadão não tenha sua inteligência desafiada. Confio que o povo é sábio, pode errar, mas acaba achando o seu caminho. Essa é a beleza da democracia, onde aprendemos inevitavelmente com os erros, e passamos a cobrar para que eles não se repitam.  

Definir o preço das coisas e serviços não é coisa de político,  é coisa de técnico;  definir  se o mesmo é justo é coisa da justiça; definir se o cliente está disposto a pagar,  é coisa de mercado. Ao político caberia somente  viabilizar o acesso da população aos mesmos, usando para isto o recurso público que deveria estar disponível para o assistencial, e para isto que temos uma das maiores cargas tributária  do MUNDO. Enquanto  finalizo este texto o Brasil  já vai ter arrecadado em impostos, a incrível cifra de R$ 1 TRILHÃO DE REAIS, isto mesmo R$ 1TRILHÃO DE REAIS. Se não tivéssemos um dos maiores índices de CORRUPÇÃO do mundo seríamos  certamente  um país desenvolvido.



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